"WEB BUGS", OS ESPIÕES INVISÍVEIS
Todo ano a segurança e a privacidade na Internet apresentam novos riscos e oportunidades. Foi assim com o Bug do Milênio. Foi assim, em seguida, com os cookies e spams. Agora, parece ser a vez dos "web bugs". Não são insetos voadores ou navegadores. Tampouco são erros ou defeitos de programação. Na realidade, são recursos gráficos que se escondem por trás de cookies, spams, smart tags, customização de banners, e uma série de outros dispositivos que podem resultar, conforme as intenções e usos, em algo politicamente( e legalmente ) correto ou incorreto.
Os web bugs permitem a "monitoração" de quem visita uma página ou abre um e-mail. Como são de tamanho mínimo( 1 x 1 pixel ), são invisíveis. Mas bem eficazes: nas páginas, identificam o número de IP do visitante, a URL da página visitada, a URL da imagem do web bug, a data e hora da visita, o tipo de browser utilizado na visita, e os parâmetros de cookie empregados; nos e-mails, indicam se o destinatário os leu e quando, revelam o endereço IP de quem tenha tentado permanecer anônimo, e podem em alguns casos medir a frequência de tráfego de certa mensagem a ser enviada e lida. Ou seja, são a imagem figurada da onipresença; em outros termos, um "Big Brother" não televisivo.
A monitoração, claro, é meio caminho para o comprometimento da segurança, quando o web bug é usado com intuitos perversos. E a privacidade? É como, em geral, ocorre com cookies, que somente podem ser usados ante o consentimento do interessado (seja ele visitante, cliente, parceiro, concorrente, funcionário, etc. ), com poucas e honrosas exceções( ligadas a se foi ou não utilizado algum recurso da empresa, se há ou não indícios suficientes de risco de segurança, se os monitorados foram previamente avisados, etc. ).
Há vinte anos circula(?) no Congresso o primeiro projeto de lei brasileiro sobre privacidade. Mesmo que algo do gênero seja votado este ano, no ano seguinte estará parcialmente superado( pois as novidades da área, fruto da inventividade de hackers e/ou da indústria, se sucedem ano a ano ). O Judiciário, ainda não tem jurisprudência pacífica, e uma hora considera legal a monitoração, noutra hora julga cento e oitenta graus diferente.
Para quem não simpatiza com e-mail marketing e não é exibicionista ou voyeurista, o jeito é se proteger tecnicamente, adotando tecnologia no estado da arte - e, como os hackers não deixam a técnica ser garantia suficiente, também proteger-se juridicamente, em contratos, termos de uso, políticas de privacidade, e contratos de trabalho, atualizando-os constantemente.
O Bug do Milênio pode ter sido um estranho caso de culpa sem danos. O web bug pode ser foco de problemas, com dolo ou não. Você sendo disseminador( ansioso por saber se leram o e-mail que você enviou ) ou destinatário de web bug, fique atento( embora sem prejulgamentos, afinal, consta que em matéria de espionagem "nunca diga nunca novamente" ).
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